Durante o ano, respondi a várias perguntas enviadas
por vocês, leitores desta coluna. Infelizmente, seria impossível responder a
todas, de mudanças de carreira a questões familiares, minha caixa de e-mail
virou um retrato do que aflige profissionais e estudantes de todo o Brasil, e
sou muito grato por isso. Aprendi muito, e prometo ao longo do tempo ir
dividindo com vocês essa experiência genial. Hoje quero falar do "Grande
Convencedor".
Quem é o Grande Convencedor? O pessoal de ciências
humanas tem uma dezena de nomes técnicos, mas eu prefiro imaginar como um
daqueles caras chatos que vivem com um megafone na boca protestando em algum
lugar. E o que esse grande convencedor faz? Ele grita no seu ouvido, te
convencendo a sempre fazer a coisa "certa". É a voz de nossa mãe
dizendo que acabar um relacionamento ruim não é um bom negócio porque divórcios
são horríveis, é o chefe dizendo que você não é bom o suficiente, é o professor
que tirou sarro de uma resposta diferente, é o amigo que diz que é loucura
largar um bom emprego porque você está infeliz.
Nada contra mães, amigos e professores, todos têm
seu papel no mundo. O problema é que, por mais que saibamos disso e tentemos
fazer o que parece certo para nós, o grande convencedor entende o recado, e
fica gritando no nosso ouvido a todo momento.
Acontece que em muitas das perguntas que recebo, a
pessoa que envia o e-mail já sabe a resposta: devo largar um emprego que não
gosto? Devo trocar de carreira para uma opção que me realize? Devo deixar de
ser filho de meu pai na empresa familiar e andar com meus próprios pés? Devo
seguir meus sonhos e abrir uma empresa? A resposta para essas, e diversas
outras, que recebo é sempre um grande sim.
Quando recebo esse tipo de pergunta, vejo que a
pessoa não precisa de uma resposta, ela preciso calar o grande convencedor. É
ele que diz que as coisas vão dar errado. Ele que diz que você deve seguir uma
carreira como todas as outras, deve continuar um relacionamento como todo mundo
faz. É ele que escolhe os amigos certos, a carreira certa, o modo certo de
viver a sua vida. Só que a vida é sua.
Não há nada de errado em ser normal, e a maioria de
nós é muito feliz sendo normal na maior parte de coisas em nossas vidas. O
problema é quando falta aquele algo. Você sabe o que incomoda, sabe o que
deveria mudar, pensa no assunto, e o grande convencedor te convence a deixar as
coisas como estão. E então muita gente pira. Entra na crise dos 30, 40, 50.
A verdade é que comportamentos e esforços normais
levam a resultados normais. Resultados diferentes pedem comportamentos
diferentes. Resultados extraordinários pedem ações extraordinárias. O grande
convencedor odeia o extraordinário. Eu odeio o grande convencedor. E você?